Quando milhões de brasileiros colocam carne de frango à mesa, existe uma longa cadeia por trás daquele alimento. Mas, no início de tudo, há um avicultor.
É ele quem acompanha a temperatura quando o clima muda, verifica água e ração, observa a ambiência, enfrenta problemas de energia, investe em equipamentos, recebe um novo lote e assume novamente a responsabilidade por milhares de aves.
Nesta sexta-feira, 28 de agosto, Dia do Avicultor, Mato Grosso do Sul celebra homens e mulheres que transformaram a avicultura em uma importante atividade econômica e social do Estado. E há razões objetivas para essa celebração.
Segundo o mais recente Boletim Casa Rural de Avicultura do Sistema Famasul, com dados da Iagro, 78,1 milhões de frangos foram movimentados para abate em Mato Grosso do Sul entre janeiro e maio de 2026. O número é expressivo. Mas talvez conte apenas uma parte da história.
A avicultura sul-mato-grossense que chega a 2026 é resultado da combinação de produtores, agroindústrias, associações, instituições públicas, técnicos, universidades e pesquisadores. Uma cadeia que começa a compreender que, para continuar crescendo, produzir é apenas uma das tarefas. É preciso também representar, pesquisar, inovar e formar pessoas.
Mercado internacional
Mato Grosso do Sul produz — e exporta
Nos cinco primeiros meses de 2026, o Estado exportou 71,8 mil toneladas de carne de frango in natura, gerando aproximadamente US$ 159 milhões em receita. São números que conectam diretamente as propriedades rurais do interior do Estado ao mercado mundial.
O trabalho realizado dentro de um aviário em Sidrolândia, Dourados, Caarapó, Glória de Dourados, Itaquiraí ou em outros municípios produtores pode terminar na mesa de uma família do outro lado do planeta.
Rotas do frango sul-mato-grossense · jan–mai 2026
Geografia da produção
O coração da produção está no interior
O Governo de Mato Grosso do Sul aponta os municípios de maior destaque na distribuição das granjas, confirmando principalmente a região sul como grande polo avícola estadual:
Os números do Programa Frango Vida e os dados gerais de movimentação para abate são indicadores diferentes, mas apontam para a mesma direção: uma cadeia de grande dimensão e em processo de modernização.
Modernização
Investimento para continuar crescendo
Programa estadual
Frango Vida
Em 2026, até o balanço apresentado em maio, mais de 57,2 milhões de aves já haviam sido contabilizadas pelo programa.
Representação
Quando o produtor passa a ter voz coletiva
Uma das transformações importantes da avicultura sul-mato-grossense está na organização dos próprios produtores. A Avimasul, na representação estadual, passou a funcionar como ponto de articulação entre produtores, associações, agroindústrias, Governo do Estado e demais instituições ligadas à cadeia.
Mas essa estrutura ganha força principalmente porque existe uma rede regional próxima da realidade das propriedades. A própria Semadesc destacou em 2026 o papel das regionais na construção do plano estadual de fortalecimento da cadeia, na articulação das câmaras setoriais e no apoio às ações sanitárias e à expansão da atividade.
Essa organização é particularmente importante em uma cadeia integrada, na qual muitos dos grandes desafios ultrapassam os limites de uma única propriedade: energia elétrica, contratos de integração, CADECs, crédito, modernização dos aviários, sanidade, estradas rurais, mão de obra e sucessão familiar.
O associativismo transforma demandas individuais em pautas coletivas. E transforma produtores dispersos em representação.
Pesquisa e conhecimento
A ciência entra no aviário
Há outro personagem fundamental para compreender o estágio atual — e principalmente o futuro — da avicultura de Mato Grosso do Sul: a academia. Na Universidade Federal da Grande Dourados, a produção científica relacionada à avicultura já possui trajetória própria.
A pesquisa científica não está distante do problema encontrado pelo produtor. Ela estuda iluminação, mão de obra, mecanização, ambiência, bem-estar, produtividade, sustentabilidade, custos e comportamento do consumidor — exatamente os fatores que determinam para onde caminhará a atividade nos próximos anos.
Rodrigo Garófallo Garcia
Professor e zootecnista da UFGD, com atuação em avicultura de corte e postura · Programa de Pós-Graduação em Zootecnia
- Coordena trabalhos no NESAQ — Núcleo de Estudos em Suinocultura, Avicultura e Aquicultura, com linhas em ambiência, bem-estar animal, nutrição, qualidade de carne e zootecnia de precisão
- Coordenou a implantação, em 2025, do Aviário Experimental de Poedeiras Comerciais em sistema Cage Free
- 3º lugar no Prêmio Fundect Pesquisador Sul-Mato-Grossense 2026, categoria Pesquisador Destaque – Ciências da Vida
- Representa a UFGD na Frente Parlamentar da Avicultura de Mato Grosso do Sul
Fábio Mascarenhas Dutra
Professor da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia da UFGD
- No mestrado em Agronegócios, pesquisou a iluminação por lâmpadas LED na produção de frangos de corte (UFGD, 2014)
- No doutorado, estudou os fatores determinantes para a mecanização da apanha de frangos de corte no Brasil — economia, inovação, percepção do consumidor e bem-estar animal
- Lidera o LEMA — Laboratório de Estudos em Marketing e Agronegócios da UFGD
- Criador e apresentador do Agrociência Podcast
Conhecimento que sai da universidade
Agrociência Podcast · Episódio 42
Dedicado à Avimasul, o episódio discutiu associativismo, desenvolvimento regional, Lei da Integração, gestão, produtividade, sanidade, modernização das granjas e os desafios enfrentados pelos produtores. Em uma cadeia constantemente confrontada por desinformação — de mitos sobre uso de hormônios a debates sobre bem-estar animal e biosseguridade —, comunicação e ciência passaram a ser também ferramentas de competitividade.
A relação entre academia e produção já pode ser observada também em pesquisas dedicadas à própria avicultura sul-mato-grossense: estudo publicado na revista científica Interações analisou a evolução da avicultura de corte no polo de Sidrolândia e sua contribuição para o desenvolvimento local, construído com informações da Avisidro, Avimasul, Avigrande, Aviglória, Famasul e órgãos públicos. É um sinal de amadurecimento: a avicultura de MS também passou a gerar perguntas, dados, experimentos e conhecimento dentro do próprio Estado.
Uma cadeia que começa a se conectar
O produtor continua sendo o centro. Mas hoje ele não está sozinho.
Associações regionais
Avisidro, Avigrande, Avicar, Aviglória, Aviconsul e AMA-MS — capazes de identificar problemas locais, granja por granja.
Avimasul
Articulando a representação dos produtores em escala estadual.
Instituições públicas
Semadesc, Iagro, Famasul, Senar, Câmara Setorial e Frente Parlamentar — construindo políticas públicas, sanidade, capacitação e instrumentos de desenvolvimento.
Indústria
Responsável por transformar produção em mercado.
Universidade
Observando o aviário, medindo resultados, formando profissionais, testando tecnologias e produzindo conhecimento.