O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou na noite de domingo (25) que a decisão liminar que prorrogou o horário de votação no segundo turno gerou dificuldades para a Justiça Eleitoral, segundo informações divulgadas pela Agência Câmara. A prorrogação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em razão de relatos de dificuldades no transporte coletivo de eleitores, e estendeu a votação até as 19h apenas nas seções que ainda não haviam encerrado as atividades às 17h. A campanha de Flávio Bolsonaro também havia pedido ao TSE a ampliação do horário em municípios afetados por fortes chuvas.
Segundo a Agência Câmara, Nunes Marques relatou ter recebido o pedido por volta das 15h30 e buscado informações técnicas junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, a prefeituras e às equipes do TSE, já que não havia norma que autorizasse a prorrogação. Ele explicou que foi necessário bloquear o recebimento dos boletins de urna de todo o país para impedir acesso prévio aos resultados, o que gerou uma contenção extraordinária nos dados, mas as dificuldades foram superadas e a decisão judicial foi cumprida integralmente, sem comprometer a apuração.
O pronunciamento ocorreu após a Justiça Eleitoral confirmar a reeleição de Lula, com mais de 64 milhões de votos. Nunes Marques disse ter telefonado aos dois candidatos, parabenizando Flávio Bolsonaro pela votação expressiva e Lula pela vitória, destacando sua trajetória em oito disputas presidenciais, com quatro vitórias. O ministro informou que mais de 158 milhões de brasileiros estavam aptos a votar no segundo turno, com comparecimento superior a 128 milhões de eleitores e abstenção de 19,21%, índice inferior ao do primeiro turno. Foram disponibilizados mais de 95 mil locais de votação no país.
Ainda conforme a Agência Câmara, das 499.248 urnas eletrônicas usadas no segundo turno, 1.551 precisaram ser substituídas, percentual de 0,31% do total. O ministro citou a presença de observadores nacionais e internacionais, incluindo a missão da Organização dos Estados Americanos, que não identificou interferência externa no pleito. Nunes Marques também destacou o elevado grau de judicialização da eleição, com 2.265 processos originários recebidos pelo TSE, dos quais 827 representações e 444 pedidos de direito de resposta, ressaltando que a celeridade processual não pode se sobrepor à adequada prestação jurisdicional.
Com informações de Agência Câmara.




